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Grilhões
Correntes
E charcos
Quando o céu estiver em seu mais alto ponto
E as nuvens da tirania estiverem dissipadas
Eu em um gemido de século
De história e de força
Louvarei em meu altar os deuses bantos
Não haverá conto de povo oprimido
Nem irmão querendo o sangue derramado de seu vizinho
Pois é momento de nova era
É ausência de dor nos caldeirões da fazenda
Dos tumbeiros construídos pra desgraçar minha família
Farei esteios e bases de lembranças
Das amarras e ferros em brasa que feriram nossa carne
Serão erguidos pilares e monumentos pra que jamais se esqueçam de suas atrocidades
Nada de esconder sob o véu tosco do passado ou da história mal contada
Nada de fingimentos ou lamentos por um tempo sem glória
É necessário muito mais que tratados
É necessário muito mais do que entendimentos
Quero meu lugar
À mesa da igualdade!
Desmascare de sua face todo ar de racismo
Tire de sua garganta a voz dos avós
E fale em bom som, no mais estridente que puder
O quanto em suas veias corre o rubro líquido de África
O mais salgado de todos os chicotes
O mais amargo de todos os açúcares
O mais negro de todos os cafés
Livre-se de toda falsidade criada em sua mente
Pois você, filho desse Brasil descendente
É parte de meu povo
É o meu próprio povo
Em cada esquina, apartamento e senzala.

