Tem dias que a poesia em mim levanta meio tristonha, cambeta das ideias e fraca para qualquer verso. Fica parada miúda no canto de cada canto de minha casa. Se saio ela vem comigo com o olhar baixo e resmungando por não saber se entrosar no versejar das saracuras e na melodia social das primeiras sabiás que cantam o amanhecer. Arrasto-a pelas mãos, balanço com ela nos galhos mais altos da ameixeira, mostro o pessegueiro em flor e tento a todo custo fazer se alegrar com o barulhinho da bica que corre no fundo do quintal. Até as borboletas se compadecem de meu esforço e fazem acrobacias poéticas para alegrá-la. Tudo em vão. Quando a poesia levanta assim, de cara virada para mim, as letras custam a escrever sua história.

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