domingo, 28 de outubro de 2012

Prefeita Rainha



A galinha d'angola
Falsa fraca no gingado
Cantava
Como tava

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Não tem medo
Fraqueza não é sina
Cantar é o fardo
Da galinha d’angola


E ela assim mesmo
canta
Seguindo o destino
De sua suposta fracura

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Esperta essa é
Política nata
Trajando vestido de gala
No terreiro mandava
Com seu discurso:

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca


Fraca nada
É só frescura
Ágil d’angola
Dança capoeira
Cisca e belisca
Bica a risca toda oposição
Voa ligeira
Nunca tem medo
De aliado gavião

E em sua postura
De dama das aves
Humilde aos olhos
Dos gansos e canários
Discursava emocionada
Pós eleição

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Eleita foi
Em primeiro turno
Com esmagadora vantagem
D’angola é agora
Prefeita Rainha
Da monarquia recém
Decretada

E canta
E dança
E se lambuza
Somente pr’alguns

Tô fraca nada
Fraca tô nada
Nada fraca tô
Azar de quem
Em mim votô.



2 comentários:

  1. Nossa, Genial! rs. Tadinha da galinha d'angola, tão inocente... rs Fiquei pensando: está ele falando de política? de alguma prefeita que ganhou as eleições na cidade dele? Ou está apenas poetizando sobre uma galinha d'angola (como disse Freud: às vezes um charuto é som um charuto... rs)?...

    Bom, se for sobre política:


    e seu "canto"
    serviu de inspiração
    para um pássaro
    chamado 'corrupião'
    que por sua vez
    a muitos inspirou
    também

    essa galinha
    de fraca
    de fato
    nada tem
    Cisca
    belisca
    repete
    duas vezes dois
    to fraca
    to fraca
    to fraca
    tofraca...

    prefeita arisca
    depois...

    Um abraço, Victor. E parabéns! eu adorei. rs.

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    1. Oi Ligéia! Pois é, na realidade é um poema que fiz pensando na forma como as galinhas d'angolas se impõem no terreiro. Não existe galo, ganso ou peru que sejam suficientes para enfrentá-las. Elas exercem uma política de persuasão fantástica: o canto! Enquanto as fêmeas cantam os machos gritam e saem de bicadas na ave que estiver no caminho. E o milho sagrado de todo dia é primeiro delas, o que sobrar é dos outros, se sobrar. Algo semelhante com a política brasileira? Pode ser pode não ser. Só Freud mesmo! rsrsrs

      E que versos belíssimos e sonoros! Adorei o pássaro Corrupião!

      Obrigado pelos versos e pela presença, como sempre é muito bom ter você por aqui!

      Forte abraço!

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