terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Assim é...


Quando estou chão, dou passagem as formigas e andarilhos
Quando estou céu, rasgo negrume de noite com piscar de vaga-lumes
Quando estou árvore, enfeito-me de sabiás-laranjeira
Quando estou triste, viro pôr-do-sol e me deito sob montanhas
Quando estou gramática, traduzo a conversa de saracura com o brejo
Quando estou com fé, comungo das mangas, goiabas e jabuticabas
Quando estou feliz, procuro o beijo dos beija-flores
Quando estou Poeta, viro do avesso com a poesia
Quando estou lágrimas, deixo escorrer riachos para não gelar a alma
Quando estou criança, solto pipa e me deixo soltar
Quando estou pedra, fico em silêncio ouvindo tudo
Quando estou passarinho, voo sob girassóis e margaridas
Quando estou música, junto-me as cigarras na primavera
Quando estou amando, somente amo, nada mais
Quando estou sonhando, deixo me levar pelo desconhecido
Quando estou sem palavras, deixo que meus olhos falem por mim
Quando estou livre, viro poesia.

2 comentários:

  1. Gostei, bastante expressivo, linguagem bem trabalhada. Abraço!

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    1. Muito obrigado Al Reiffer pelas palavras. Que bom que tenha gostado!

      Um forte abraço!

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