quarta-feira, 29 de maio de 2013

10021980 23:30


Na noite mais escura
Vi pela primeira vez
A moribunda luz
Nada mais foi dito
De um lado apenas gemidos
Dor daquela que me pariu

Depois vieram os dias
O tempo lascado na pele
E os espelhos o vivente a negar
Deixei perdidas sementes
E mais nada fiz

Quando minha letra vejo
Rascunhada nesse chão
Vejo o quão generoso é
O deus que eu não creio
Pois a mim muito mais que borrão
Livre de freios me fez

Da mais escura noite
Do mais amargo chicote
Da solidão tão absurda
Eu vi a luz

Depois parti.

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