quarta-feira, 30 de março de 2011

La Negra

Sempre que me recordo dessas coisas
Do tempo em que nos mandaram pra fora de casa
Dá vontade de chorar
Mas tudo é ultrapassado
Pela música
Pela força
Pela voz que jamais silenciada
Da grande
La negra
Que bate dentro de mim

A tristeza toma agora
Hoje, nesse domingo de azul sem valor
Grandes porções da alma
E eu,
Fraco
Sinto o silenciar do rubro som
Da melodia
Calada
Da grande voz

Ela que cantou a vida
Louvou a nossa origem
E uniu em só momento
A letra e a partida
A cor e o sabor
E lutou com sua voz
Pra realizar a sonho
De ver um só povo
A beira da igualdade
Como irmãos...

E os pedaços da alma
Agora silenciam
Já não mais cantam
Dorme

No sono eterno deita a voz da irmã
Da mestra
Da mãe
Dorme...

Mas em mim, não se acaba
A voz da garganta
Nem a fala mais dura
Contra toda a injustiça sofrida por nossa gente
E nossa língua tão cantada
É fruto da semente plantada
Pela grande La Negra

Pelas ruas
Pelas longas embernadas
Pelas manhãs de Latina América
Ela cantou
E louvou
E agradeceu...

Pelos duros passos
Pelos animais que nos amordaçaram
Pelos cantos e brejos do pensamento
Ela cantou
E louvou
E agradeceu...

Dorme, o som
A música
E a fala
De La Negra.

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