sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vou-me embora de Pasárgada



Vou-me embora de Pasárgada
Nada pude aqui fazer
Mesmo sendo amigo do rei
De nada pude exercer
Tenho medo dessa lei
Da poesia que estou por escrever.

Vou antes que anoiteça
Ante mesmo o sol terminar
Levo comigo o verso meu
No peito o eterno amar
Nada em mim feneceu
Vou-me antes do desamar.

Há em minh’alma desolação
Um sabor estranho nos lábios
Passei muito tempo aqui
Já não entendo os ditos sábios
Devo ir... antes estar no ali
Do que ficar nesse balneário

De Pasárgada devo tudo
Do incerto ao mais puro
Da luz que me clareia
Devo, jamais esconjuro
O sangue que corre nas veias
E da poesia que faço uso.

Não me deitei em camas ricas
Nem beijei a face amada
Fiz apenas o que deu na telha
Agora ponho o pé na estrada
Deixo pr’atrás mansa ovelha
Que fui em terras de Pasárgada.

Vou-me embora daqui
Antes mesmo do Sol nascer
Sigo rumo a minha casa
Lá eu posso escrever
Sendo livre das amarras
Pra realmente sentir o viver.

Pasárgada beijos meus
Deixo a ti meu coração
Vou-me agora taciturno
Fazendo minha própria canção
Antes mesmo do raiar noturno
Devo seguir na contra-mão.

Vou-me embora de Pasárgada...

2 comentários:

  1. Nossa! Que belo poema! Dialogar com o Bandeira não é tarefa tão simples e vc conseguiu realizá-la muito bem!
    Diogo, curiosamente, ontem estava pensando no "não-lugar" e nos lugares imaginários, lembrei-me de Pasárgada e de Macondo. Eu tbm tinha o meu lugar imaginário, era uma ilha, qualquer dia te conto sobre ela. Acho que cada um tem a sua "terra prometida", o seu oásis perdido... no seu poema vc desconstrói essa ilusão. Pois só quem já esteve em Pasárgada sabe que promessas são só promessas. Muito lindo!

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    1. Ivanita, muito obrigado por suas palavras. É sempre um prazer imenso por vê-la aqui.

      Um forte abraço!

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