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| (Mão e Lua. Fotografia: Victor Said) |
É um constante não-morrer
Reviramos a cana
Nos tachos do eterno sofrer
Nos tornamos lenha,
Quando não podemos mais rastejar
Queimamos os lábios
Na acesa e doce fornalha do amargar
O animal que leva a corda
Que arrasa e arrasta o som
Berra por um gole d’água
Suplica pra morrer
E em cada chicotada
Vira o tacho da garapa
No escravo ato de moer
Escorre o caldo
Dia e noite
Até o branco vir
Até o doce açúcar surgir
E adoçar a boca suja
Da dita sofisticada mão cristã
Do outro lado do grande mar.

"...O animal que leva a corda
ResponderExcluirQue arrasa e arrasta o som
Berra por um gole d’água
Suplica pra morrer
E em cada chicotada
Vira o tacho da garapa
No escravo ato de moer..."
Que triste... Fiquei triste...
Muito triste, mas muito bonito!
Um abraço, Victor.
Ligéia, também acho esse poema triste. O escrevi após um estudo sobre os engenhos do Brasil colonial. A escravidão africana é uma das mais terríveis cicatrizes que marcou nossa história, sem dúvidas. Obrigado pela leitura!
ExcluirForte abraço!