sábado, 14 de abril de 2012

Caixa de Pandora

(Pedra da Loba. Fotografia: Victor Said)


Havia um monte distante
No topo uma mesa
Não há mais.

Havia braços dados
Uma dança sem pretensão
Que acabou na palavra jamais.

Havia um Sol radiante
Comidas e bebidas e gentes
Por que não há mais?

Pra onde foi o sonho?
Onde começou o fim?
De que serve o nunca mais?

Havia sorrisos e crenças
Lutas e lamentos e união
Pra onde foram?

Havia laços e sinaleiras
Bruxos e poetas trajando ternos
Faceiros irmãos!

Havia significado no comum
Um verso leve, outro interno
Milhares em um!

Eu sentia felicidade
Sentia liberdade
E sonhei sob o monte...

Contudo, abriu-se a caixa
Ranger de dentes
Dor e separação...

Vejo a mesa vazia
O verso sem vida
Uma tarde sem dia.

Vejo escuras nuvens
Raios e palavras morrendo
O laço partido.

Uma caixa aberta
O maldito segredo de Pandora
Libertos mil demônios enfurecidos.

Toda letra foi esmagada
A mesa devastada
Não há mais, poesia.

Não vejo mais,
Nem o monte
Nem a paz.

Com a caixa aberta
O monte ruiu e a mesa
Não mais existe.

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Este poema foi escrito logo após um conflito entre grandes pensadores e poetas com os quais eu convivi durante um tempo. Nem sempre as ideias são as mesmas e diante da fatalidade de sermos falhos e humanos, as perdas são inevitáveis. Contudo, fica a poesia e a lembrança do tempo em que os versos eram comuns.

4 comentários:

  1. É, humanos erram meu caro, sabemos disso. Mas fica a lembrança e um tremendo "golaço" com essa poesia maravilhosa! Emocionante! De arrepiar, parabéns outra vez! Apenas peço humildemente que nunca nos faça perder esses momentos tão fantásticos de leitura e vida com a leitura de cada palavrinha sua!
    Abraço!

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    1. Olá amigo Bandoleiro, primeiro desculpa por não responder antes e, adorei seu comentário. Realmente os seres humanos são falhos. Esse poema nasceu em uma comunidade do Orkut, do qual não faço mais parte, mas guardei e guardo boas lembranças daquele tempo.

      Obrigado por suas palavras e presença!

      Um forte abraço!

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  2. A humanidade se perdeu por completo, e agora reclama do sofrimento. Os bons também pagam pela abertura da caixa. Não tenho fé na humanidade, não tenho esperança, não nessa existência.

    Um abraço, Sr.Sumido. rs...

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  3. Realmente Ligéia, há um certo desesperançar a nos fazer vítimas. Talvez seja pela dor que nos encontramos e nos resgatamos das mazelas da vida. Dias melhores virão, tomara!

    Estou mesmo sumido, perdoe-me. Tenho me dedicado demais ao trabalho e esqueço da poesia. Mas prometo tentar estar mais presente.

    Abraço!

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