sábado, 25 de agosto de 2012

Na mão direita, a flor


Flores

Há algo de errado em admirá-las?
É pecado dizer que se ama as cores?
As formas?
A maneira como surgem?
 
Quando criança
As roupas pequenas
São bordadas com flores
Sempre-vivas, margaridas, girassóis.

Quando se ama
Presenteia-se os amores
Rosas
Amarelas, brancas, vermelhas
Todas botões
Calores aos milhões

Há algo de errado com as flores?
Com aquele que por elas verseja?

Na fé
Altares são floridos
Pétalas mil
Folhagens aos pés dos santos
Nos cantos, no louvor
Crisântemos, lírios, copos-de-leite
Em nome do amor.

E se os olhos se calam para o mundo
Dormindo o sono dos que se vão
Deitados e cobertos
Ornamentados pela paixão
A sepultura levamos
Flores...

É certo que estão

Na frente de cada casa
Nos vasos
Nos lados
Na vida dos que ainda a veem

Há algo de errado nisso?

2 comentários:

  1. Se há algo de errado com as flores, é o fato delas perecerem. existe alguém capaz de dizer que há algo de errado em exaltar as flores, em poetar para elas? Não consigo imaginar isso.

    As flores merecem a homenagem desse poema.

    Um abraço, Victor.

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    1. Amo as flores Ligéia, tenho por elas um carinho muito especial. Desde criança fui encorajado a estudá-las e entendê-las (algumas são difíceis de compreender, isso é fato).

      Obrigado pelo comentário, suas palavras são sempre muito bem-vindas e me alegram por demais!

      Forte abraço!

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