sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O elefante



O elefante
Todo prosa
Silencioso
No seu falar
Quis vestir-se
De ópera
Mas não sabia
Cantar

O elefante
Todo sonhador
Insistente
No seu pensar
Quis livre
ser poeta
Mas não sabia
Rimar

O elefante
Todo bobo
Foi tão longe
No seu andar
Intermináveis
Distâncias venceu
Mas não sabia
O que era
Parar

O elefante
De olhos erguidos
Do pensamento
Além do imaginar
Olhou para o céu
Estrelas viu
Mas não sabia
que não se pode
Desejar

O elefante
De cor azul
Bebeu de nuvens brancas
Sorriu sorrisos
A se alegrar
Feliz estava
Mas não sabia
Que poderia se ferir
Ao sonhar

O elefante
Contudo
Trajando
Seu coração
A versejar
Fora mesmo ferido
Silenciosamente
Com a dor
E não sabia
Com essa lidar

E elefante
Desconhecia
Das coisas
Do mundo
Era de se espantar
Vida queria
Mas quis saber
Mesmo assim
Experimentar

O elefante
Agora
Nada prosa
Ainda bobo
Todo azul
De corpo ferido
Dos olhos a chorar
Sabe na pele
Como dói
Amar.

2 comentários:

  1. Que poema bonito. E gostei muito do blog e das imagens. Parabéns Victor você é um dos melhores poetas que li. Bjs

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  2. Oi Maria Clara, que gentil de sua parte. Fico feliz com suas palavras e presença.

    Obrigado,

    Abraços!

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