Há um desprazer
Des-sentido
Impune dentro do ser
Algo atroz
Que fere a letra
Que sequestra a alma
Que incendeia o nome.
Dizem ser paixão
E que tudo é bonito
E que na ávida vida
No amor se refaz
Se contradiz
Se impulsiona
Se sente.
Paixão é o seu nome
Que consome
E destrói
Que constrói
Que cega
Que se despedaça
No infinito sonho
De um dia ter ao seu lado
O amor de outrora
Cometer erros é fatal
Não aceita a humanidade
Não permite o volta atrás
Não se compadece
Nem se importa
Nem abre a porta
Ao passar.
Entra arrombando
Assaltando
E assassinando as mesmices
Os dias, a Lua, as estrelas
Faz-se presente no peito
Enquanto envenena
Com doces palavras
A poesia de cada amanhecer.
É a pior das doenças
A mais temível dor
Pois dilacera aos poucos
Corrói o coração
Arranca-lhe os tuns
Silencia os olhos
E devasta o amanhã.
Ofertam comida
Não há fome
Se tem sede
Não se pode beber
Se deita
Não dorme
Se acorda
Não sonha
Se ama
Euteamo é insignificante
E toda a amação
Nada importa
Nada existe
Nada pôde
E se insiste
Perde a razão
A face
O seu ser.
Paixão
Este é o seu nome
Maldita entre todas as flores
Maldita entre todas as letras mais doces
Maldita entre as alturas.
Foge se puder
Esconda seus passos
Nunca beba da paixão
Senão
Quando não mais puder
Sucumbirá
Feito fruta madura
Que cai
Que se esvai
Que se perde
Ao des-sabor do não-viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário