O vento que sopra os mundos
Que sopra a vida
Que sopra a terra
É o mesmo vento do ano passado
Do ano anterior
Dos dias de 1980
Vento que sopra
tudo
Que traz cheiro conhecido
Dos tempos vividos
Das vidas chorosas
Da lágrima ainda fria
Da água primeira de dezembro
Sopra esse vento a minha vista
O meu horizonte
A minha amação
A poeira da estrada distante
Dos dias mornos de pré-verão
Vento que craveja o céu de estrelas
Que vem do Sul
Do Oeste
E daquela direção
Onde lanço meu olhar
Onde fica minha lembrança
Onde o vento nasce
E lá faz ventar
As árvores
As flores
As aves
Os livros
Os impossíveis sonhos
Que não amanhecerão
Vento esse
Que vem
Que sopra
Que beija
Que chega
E que se vai
Enquanto a’lma
Aqui em mim fica
E o que fica
É essa contínua
Sempre
Solidão.

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