terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sem primavera


Sou como a árvore que estica seus galhos ao céu. Imploro pela primavera e oferto mil folhas ao vento. Não sou ouvido. Me calo frente ao frio e deixo que as formigas vaguem por mim. Sou eu que vago pelo obscuro mundo de onde todos os demônios deixam suas garras afiadas apontadas à minha loucura. Espero ansioso pela primeira chuva de setembro, enquanto arde em mim as feridas dos invernos que demoram a passar e me devoram enquanto vivo. Qual destino esse meu: ser como a árvore seca a lançar olhares laicos ao firmamento e sem esperança alguma fingir acreditar no dia seguinte. O silêncio toma conta, e o vazio feito fonte rio e mar... se expande, se alastra. Do contrário, eu, me ligo a um galho onde só a primavera tardia é testemunha do que digo, do que sinto e que nem mesmo as flores são capazes de colorir. 

2 comentários:

  1. Gosto quando você escreve seus pensamentos e me identifico com eles.

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    1. Hélio, que legal. Fico muito honrado com suas palavras e lisonjeado com sua presença.

      Um forte abraço!

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