| (Entardecer em Minas. Foto: Victor Said) |
Senhor e Senhora, peço licença no falar
Sou pobre mendigo analfabeto de fé
Nem sei ao certo no que acreditar
Só sei da dor do calo forjado na sola do meu pé
Conheço todas as pedras do caminho
Elas é que marcam em mim a lida nas estradas
E pouco sei da vida abastada e dos cálices de vinho
Sou filho pobre que anda em muitas jornadas
Meu único legado é a liberdade
Cantada em meu verso maltratado
Busco constantemente a verdade
Pois quero saber o sentido de cada passo dado
Ergo meus olhos ao céu
Derrubo olhares ao abismo
Procuro no alto o doce e o fel
Reviro o fundo do meu próprio destino
Não vejo altares divinos
Nem sei distinguir o discurso santo ou profano
Mas sei das coisas que vivo repetindo
Senhor e Senhora, sou apenas menino, errante e humano
Não posso pedir perdão
Por aquilo que não sei
Mas posso mostrar-lhes minha mão
Com linhas e caminhos diferentes do rei
Pobre poeta mineiro eu sou
Sem eira nem beira, mas com amor a poesia
Mas quem sabe um dia diante de tudo que se falou
Posso estar ao lado do homem que cumpriu a profecia
E nesse dia não quero privilégio
Nem festa nem flores em aclamação
Quero apenas a face livre de mistério
Peito aberto expondo o real amor do coração.
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| (Flor da Orapronnobis. Fonte: internet) |

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