quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Arabutan

(Pau-brasil. Foto: Victor Said)

Em meu sangue
A memória ainda existe
A vitória ainda é triste
Quando penso
Lembro
Do passado antes dos grandes barcos
De além mar

Era tempo glorioso
O medo era apenas de suçuarana
Na mata o verde era...
Ainda é, esperança
No meu cantar

Memória da terra sambaqui
Da festa
Da rede
Do meu povo tupi

E aí veio em grandes velas
O homem vestido de ferro
Trouxe a cruz para nossas costas
E a morte fez de nós
Fermento na terra que chamávamos de mãe

Andávamos com a lua
Dormíamos com as estrelas
Agradecíamos Tupã

Lembra?
Não pode esquecer
Do muiraquitã
Dos Carajás
Tupinambás
Do seu povo antes do amanhã

Em meu sangue
Ainda escrito está
A memória jamais esquecida
Do avô do avô de meu avô
Para o filho do filho de meu filho
Que um dia irá falar
E lembrar
O começo de Pindorama.

5 comentários:

  1. Hoje tememos suçuaranas humanas...

    Muito belo, verdadeiro, tristemente real.

    Parabéns pelo lirismo, que remete à beleza e que nos conscientiza da destruição.

    Um abraço, Victor.

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  2. Ligéia, realmente as suçuaranas são muitas e muitas com as faces humanas. Obrigado pelas palavras e presença.

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  3. kkkk..o quem vem a ser arabutan ?

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  4. Parabéns, excelente o poema, bastante expressivo. Abraço!

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  5. Anônimo Jan 28, arabutan ou arabutã é a árvore pau-brasil. Assim que os povos indígenas a chamavam. Obrigado pela questão. Seja sempre muito bem-vindo (a).

    Al Reiffer, obrigado pelas palavras. Afagam minh'alma.

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