Morre em
mim todos os dias que amanhecem
a fala cansada,
terna suave sem preocupação
Morre em
mim as manhãs de primavera
Fica simples
assim, dos que se foram, a canção
Não é mais
tempo de plantar nem de colher
Não é mais
tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais
tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais
o tempo da vida desse louco adestrado
Acabou a
festa do sempre conhecimento
Acabou o
dia, a tarde e dos sonhos, a madrugada
Acabou o
canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a
letra desse alfabeto, tão maltratada
“Vou-me
embora pra Pasárgada”
Vou vestido
de minha face, livre de qualquer nudez
Vou liberto
das velhas e antiquadas amarras
Vou
simples, presente e sem a possibilidade do talvez
Que o Sol
dessa tarde pungente
Que brilha
no fim de uma vida poética
Seja testemunha
da cria que fui
Das velhas
crenças, tolas e patéticas
Termina em
mim o peso dos dias comuns
Acaba por
fim, dos ideais a pureza
Somente levo
no peito escancarado
Expostas e
miseráveis marcas, agora, leveza
“Vou-me
embora pra Pasárgada”
Tal como aquele
Manuel liberto um dia fez
Vou livre
das impostas e fétidas garras
Sem véu e sem
sombra alguma de porquês.

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