sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Indo rumo a Pasárgada



Morre em mim todos os dias que amanhecem
a fala cansada, terna suave sem preocupação
Morre em mim as manhãs de primavera
Fica simples assim, dos que se foram, a canção

Não é mais tempo de plantar nem de colher
Não é mais tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais o tempo da vida desse louco adestrado

Acabou a festa do sempre conhecimento
Acabou o dia, a tarde e dos sonhos, a madrugada
Acabou o canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a letra desse alfabeto, tão maltratada

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou vestido de minha face, livre de qualquer nudez
Vou liberto das velhas e antiquadas amarras
Vou simples, presente e sem a possibilidade do talvez

Que o Sol dessa tarde pungente
Que brilha no fim de uma vida poética
Seja testemunha da cria que fui
Das velhas crenças, tolas e patéticas

Termina em mim o peso dos dias comuns
Acaba por fim, dos ideais a pureza
Somente levo no peito escancarado
Expostas e miseráveis marcas, agora, leveza

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Tal como aquele Manuel liberto um dia fez
Vou livre das impostas e fétidas garras
Sem véu e sem sombra alguma de porquês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário